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    Assistente Catarinense continua na geladeira

    Foto: Felipe Carneiro

    O presidente eleito do Grêmio é homem, assim como será o sucessor de Giovanni Luigi. Uma mulher com assento nos dois conselhos deliberativos é um acontecimento. Não há treinadoras, preparadoras físicas, executivas de futebol, médicas. Quando muito, nutricionistas e assistentes sociais, funções por alguma razão associadas ao sexo feminino. Já elegemos presidenta, governadoras e prefeitas, mas o futebol segue uma grande Arábia Saudita. As mulheres são bem vindas desde que fiquem só torcendo. Perto dos closes da TV, longe das decisões.

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    Não há ambiente mais machista e conservador. As exceções, aqui e ali, só confirmam a regra. A arquiteta Diana Oliveira, por exemplo. É vice eleita no Beira-Rio, mas quantas houve antes dela e quantas virão depois? Patrícia Amorim presidiu o Flamengo, que é um mundo. Não ganhou nada relevante e entregou as finanças em anemia profunda. Houve um exército de mandatos masculinos ruins na Gávea, mas só o dela mereceu a crítica de gênero. Toda vez que se fala de mulher dirigente, alguém diz: "é, mas lembra da Patrícia?"

    Não é de estranhar, portanto, o silêncio em relação ao ostracismo da catarinense Fernanda Colombo Uliana. Ela é bandeirinha e marcou impedimento de Alisson, aos 41 minutos do 2º tempo, no clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro, primeiro turno do Brasileirão. Errou. O Cruzeiro perdeu de 2 a 1 e, claro, apareceu um cartola para xingá-la e ficar de bem com a galera. Disse o diretor Alexandre Mattos: "se ela é bonitinha, que vá posar na Playboy. Não tem preparo, os caras gritam e ela erra".

    Além de dizer asneiras, Alexandre precisa de óculos. Fernanda, 23 anos, não é bonitinha. É linda. Mulheres deslumbrantes, especialmente as loiras de olhos azuis, chamam a atenção desde a descoberta do fogo. Se é aspirante Fifa (logo, tem preparo) em um ambiente machista, mais ainda. Até um plâncton sabe disso. Então, no que desnudar suas linhas de ataque e defesa para felicidade geral da nação prejudicaria o seu trabalho? Qual o problema de Fernanda aparecer na revista e ser árbitra auxiliar?

    - Nenhum, mas no meu caso tenho de fazer uma opção. É um trabalho artístico e comercial como qualquer outro, sem necessariamente ser vulgar, mas o futebol não aceitaria. Então, se eu quiser fazer carreira na arbitragem, e eu quero muito, não dá.

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    O fato é que a CBF, uma entidade à frente de seu tempo, com seus dirigentes jovens e atualizados, irritou-se ao vê-la na mídia. No jogo entre Grêmio e Sport, um auxiliar marcou impedimento de Barcos com a bola vindo do adversário, uma mancada estratosférica. Os homens erram a rodo e menos de 1% deles é castigado como ela.

    - Quando fui afastada disseram que seria uma reciclagem, para depois voltar aos poucos. É o que tenho feito: treinado o dobro. Preciso cravar todos os testes físicos e reduzir a margem de erro ao máximo. O erro será menos tolerado para mim. Desde aquele jogo, só trabalhei nas séries C e D. Mas sou jovem. Não vou desistir.

    Negros são chamados de macacos, mulher só entra como artigo decorativo e a homofobia cresce. Emerson Sheik começou a cair em desgraça quando deu selinho em um amigo e postou na Internet. O futebol é conservador demais. Não é só reflexo da sociedade. É mais. As pessoas vão ao estádio e, nele, se permitem comportamentos mais violentos, mais arrogantes, mais desrespeitosos com o vizinho, mais homofóbicos, mais racistas. Fernanda já está pensando em abrir mão da maquiagem e até desalinhar o cabelo quando vestir o uniforme. Fica mais feia é impossível, mas de repente ajuda. Só falta exigirem que ela entre em campo de burca.

    Via ZH
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