• Global
  • Video
  • Gallery
  • World News
  • Sports
  • Navigation

    Em Alagoas, apenas cinco clubes disputam o campeonato estadual

    União representou Alagoas na Copa do Brasil 2014 (Foto: Reprodução/ Facebook)
    O sucesso da alagoana Marta nos campos pelo mundo contrasta com a realidade vivida pelo futebol feminino em Alagoas. Se por um lado a atacante do FC Rosengard, da Suécia, foi campeã nacional e hoje disputa a Liga dos Campeões europeia da categoria, as meninas que atuam no Campeonato Alagoano seguem lutando por uma valorização da modalidade no estado. 

    A missão, porém, é árdua. Sem receber salários no esporte, e tendo que correr atrás do próprio sustento, as jogadoras em Alagoas mal conseguem comparecer aos treinamentos durante a semana. Muitas, apesar de apaixonadas pelo esporte, preferem não seguir com o sonho de tentar chegar ao mesmo patamar de Marta. Para aquelas que persistem, mesmo com dificuldades, ainda há pessoas dispostas a ajudar.

    Uma delas é Adeílson Cassimiro, presidente e também treinador do União Desportiva, time que atualmente carrega o posto de campeão alagoano feminino. E, mesmo tendo no currículo outros três títulos, o dirigente reconhece que, na terra de Marta, o futebol da categoria  agoniza. Os motivos listados por ele são muitos, mas o principal é a falta de investimento na modalidade.

    Cassimiro explica que os custos, apesar de não serem altos, acabam se tornando “pesados” para os gestores. Ele conta que, por jogo, gasta cerca de R$ 400,00 entre as passagens das atletas do União e a compra de equipamentos. Os treinamentos, normalmente um por semana, são realizados em campos públicos e em horários alternativos, tendo em vista que as meninas do time precisam se dividir entre o esporte e o trabalho, que lhes garantem o sustento.

    Piora o quadro o fato de que muitas das atletas do União não moram em Maceió, sede do time. Segundo Cassemiro, das mais de 40 jogadoras que têm à disposição, são poucas as que residem na cidade. A maioria vem de municípios do interior, como Arapiraca, Viçosa, Novo Lino e Maragogi.

    - O nosso grande treino é na disputa das partidas do campeonato. Infelizmente há uma grande dificuldade em se encontrar horário para treinar, porque as meninas precisam trabalhar, ou até mesmo frequentar a escola. As nossas atividades normalmente ocorrem às quartas-feiras à noite, mas tem treino que conta apenas com cinco, dez jogadoras. Muitas delas moram no interior, e a logística fica complicada. Elas não ganham salário, jogam mesmo por amor à causa. Para a nossa sorte, o grupo é grande e muitas delas já se conhecem, o que facilita o entrosamento – revelou o presidente.

    Veterano no futebol feminino, Adeílson lembra dos poucos patrocínios que reuniu para a sua equipe ao longo de uma década. A maioria, fornecia apenas camisas e calções. Fora isso, a manutenção fica na conta dos organizadores. Apesar de admitir uma tarefa árdua, ele garantiu que tudo é feito por amor ao esporte e, principalmente, para o futuro das atletas.

    - Não é querendo me vangloriar, a gente não precisa disso, mas hoje o apoio concedido ao futebol feminino é praticamente inexistente. São poucos os patrocinadores, e não há interesse em investir. O União está aí hoje porque o futebol é a minha paixão, e eu me sinto com a obrigação de ajudar a essas meninas. Não financeiramente, mas de modo que elas tenham no esporte uma chance na vida e façam boas escolhas – lamentou.

    DA SUÉCIA, MARTA DÁ RECADO

    Campeã da liga sueca de futebol feminino com o FC Rosengard e atualmente na disputa pela Liga dos Campeões da Europa da categoria, Marta sabe bem das dificuldades encontradas em sua terra natal. Apesar de ter saído muito nova de Dois Riachos, interior alagoano, para o Rio de Janeiro, onde começou sua carreira no Vasco da Gama, em 2000, a atacante afirmou que, mesmo de longe, acompanha triste a desvalorização da categoria em Alagoas.

    É uma triste realidade, que infelizmente sai também do ambiente alagoano, e atinge todo o Brasil. Sinceramente, eu desconheço qualquer investimento no futebol feminino em Alagoas, seja no âmbito público ou privado, o que é uma pena. Tem que existir mais apoio do governo, da nossa Federação – opinou a camisa 10 da seleção brasileira, que ainda fez uma previsão ruim para o esporte em seu estado.

    - Os poucos clubes em atividade em Alagoas daqui a pouco fecham as portas por não terem condições de se manter. A gente lamenta muito isso. Falta às autoridades abraçar um pouco mais a nossa causa – completou a atleta, cinco vezes eleita a melhor jogadora do mundo.

    “CENÁRIO NÃO É PROPÍCIO”, DIZ FEDERAÇÃO

    João Batista, mesmo na posição de superintendente de futebol amador da Federação Alagoana de Futebol (FAF), afirmou não ver um cenário propício para uma possível valorização do futebol feminino no estado. Segundo ele, “culturalmente” os empresários locais não enxergam potencial na categoria, e preferem investir em outras áreas.

    Ele justificou que a falta de estrutura dos clubes que atualmente disputam o campeonato estadual da modalidade e, principalmente, os resultados ruins dos representantes locais em competições de âmbito nacional desencorajam os investidores.

    O que se pode fazer? O nosso papel a gente faz, organizamos os campeonatos, promovemos as competições. Mas não temos responsabilidades sobre os times. Eles precisam ter a estrutura necessária para participar dos campeonatos. Se não há investimentos, é porque os empresários não veem possibilidade de retorno. É uma questão cultural do alagoano, apostar em que dá retorno imediato. O futebol feminino ainda não tem isso.
    Atualmente com cinco clubes na disputa, o Campeonato Alagoano feminino teve início no último dia 28 de setembro. Além do União, participam o Aliança Desportiva, Sete de Setembro, Dimensão Saúde e Universal. No Brasileiro deste ano, o estado não teve nenhum representante. 

    Via: G1
    Share
    Banner

    Deixe seu comentário