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    O universo feminino da bola

    Foto: Ricardo Moura / Lifevata













    O primeiro jogo oficial de futebol feminino no mundo se deu em Londres, em 1898, em um jogo entre Inglaterra e Escócia. A Revista Veja (Fores do Campo, 1996, p.72-73, publicada pelo Maurício Cardoso) traz uma matéria afirmando que o futebol feminino teve seu início marcado por jogos organizados por diferentes boates gays no final da década de 70. Ainda nesse tema, segundo Clério Borges, a primeira partida de futebol feminino foi realizada em 1921, na cidade de São Paulo, onde se enfrentaram os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses.

    Em 1964, o Conselho Nacional de Desportos (CND) proibiu a prática do futebol feminino no Brasil, com o passar dos anos o futebol feminino recomeçou em meados da década de 80. Salles et al. (1996) afirmam que no Rio de Janeiro constam informações que a primeira liga de futebol feminino do Estado do Rio de Janeiro foi fundada em 1981, e que muitos campeonatos que se seguiram eram patrocinados por diferentes empresas, e nessa mesma década que o futebol feminino começou a se popularizar mundialmente.

    Em 08/01/1983, o Conselho Nacional de Desportos (CND) oficializou a prática do Futebol de Salão para as mulheres. Antes desse decreto alguns estados á faziam seus campeonatos locais e metropolitanos. A necessidade de expandir a prática do Futsal Feminino no Brasil e no mundo teve como principal motivo aumentar o número de países praticantes. A Seleção Brasileira de Futsal Feminino, em novembro de 2005, foi convocada para uma série de 03 amistosos com a Seleção Espanhola e destaque para a conquista inédita e invicta do Sul Americano, também em 2005, com a participação do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Equador e Peru. O primeiro campeonato oficial organizado pela Confederação Brasileira de Futebol de Salão oi a I Taça Brasil de Clubes, realizado em Mairinque/SP em janeiro de 1992 com a participação de 10 equipes indicadas por suas Federações, com essa atitude, começaram a ser organizados campeonatos oficiais nos estados a partir de 1992.

    Segundo Fábio Franzini (2005), o universo do futebol é caracterizado desde sua origem como um espaço predominantemente masculino, como esse espaço não é apenas esportivo, mas também sociocultural, os valores nele embutidos e dele derivados estabelecem limites que devem ser observados para a perfeita manutenção da "ordem", que se atribui ao jogo e que nele se espera ver confirmada, e com a entrada das mulheres em campos ou quadra subverteria tal ordem, acontecendo a parir desse momento expressões muito bel relacionadas ao gênero, como por exemplo, quanto mais machista a sociedade se apresentar, mais exacerbadas são as suas réplicas. Segundo Fabiano Devide (2005) comenta que há uma tendência em se focalizar as diferenças entre homens e mulheres no futsal e não a relação entre os grupos.

    Alguns dos termos se apresentam muito frequentemente pela sentença "futebol é coisa para homem". O comentarista esportista e ex-técnico João Saldanha em uma entrevista para o Jornal de Debates (1996) comentou: "O sujeito tem um filho, que leva a namorada para conhecê-lo. O pai faz a pergunta clássica: ´Você trabalha ou estuda?? ?Trabalho?, ela responde. ?Em quê??, quer saber o velho. ?Sou zagueira do Bangu.?" Conclui Saldanha: "Pega mal, vocês não acham?".

    As tentativas oficiais de incentivo ao futsal feminino na Brasil escorregam no machismo característico de nossa cultura, pois ainda existem ações que enalteçam a beleza e a sensualidade da jogadora para atrair o público masculino, e são muito poucas as ações para enriquecer essa modalidade fortalecer essa prática. As praticantes de futsal esperam que um dia possam entrar em uma quadra, praticar o esporte e depois ir embora sem ser discriminada ou qualquer outro ato de preconceito.

    Considerações

    Não podemos deixar de lado, ao pensar nas mudanças exigidas pelos novos tempos, a realidade em que vivemos. Compreender que, para as mulheres, o Futsal é um espaço não apenas a conquistar, mas, sobretudo compreender alguns dos sentidos que estão incorporados no futsal e afirmar que esse espaço, de sociabilidade, também é seu.
    A mulher no futsal ainda é vista por sua beleza e pelas suas pernas e não pelo seu desempenho, conquista ou pelas belas jogadas e desconcertantes.

    É um erro desconsiderar o que foi construído e optar pela, historicamente, nossa cultura do preconceito e discriminação. Dessa forma, a mulher, até nos dias de hoje, está buscando vencer as barreiras e conseguindo o respeito dentro das quatro linhas da quadra.

    Referências 

    APOLO, A. Futsal: Metodologia e didática na aprendizagem. São Paulo: Phorte, (2004).
    BENETED, J. Revista Mulher e Carreira. Elas também apitam. São Paulo, (2004).
    CHAVES, A. S. O futebol feminino: uma história de luta pelo reconhecimento social. Acessado em 18/01/2010> às 10:20h.
    DAÓLIO, J. Cultura: educação física e futebol. 2 ed. Campinas: UNICAMP, (2003).
    DARIDO, S.C. Futebol feminino no Brasil: do seu início à prática pedagógica. Revista Motriz, Rio Claro, (2002).
    DEVIDE, F.P. Gênero e mulheres no esporte: histórias das mulheres nos jogos olímpicos modernos, 1 ed. Ijuí: UNIJUÍ, (2005).
    FRANZINI, F. "Futebol é coisa para macho? Pequeno esboço para uma história as mulheres no país do futebol". Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 25, n. 50, (2005).
    Saldanha, J. Jornal de Debates, IG. A mulher no futebol, (1996). Acessado em 20/01/2009> às 11:20h.
    OLIVEIRA, C.S.de. Mulheres em quadra: "O futsal feminino fora do armário". 53 f. Monografia (Licenciatura em Educação Física) ? Departamento de Educação Física, Centro de Ciências Humanas e Sociais, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, 2008.
    OLIVEIRA, P.H.F. Análise do posicionamento tático do jogador de futsal. São Paulo, (1999).
    CARDOSO, M. Revista Veja. Flores do Campo. 1996, p. 72-73
    SALLES, J.G.C.; SILVA, M.C.P.; COSTA, M.M. (1996). A mulher e o futebol: significados históricos. Em S., Votre (coord). A representação social da mulher na Educação Física e no esporte. Rio de Janeiro. Editora Central da UGF.
    SANCHES, V.C.; BORIM, J.M. A história e evolução do futsal feminino no Brasil e no Paraná.

    Via webartigos.com
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