Foto: Gabriel Haesbaert 
Pouco a pouco, o futebol vem mostrando que é, sim, lugar de mulher. E não apenas jogando ou nas arquibancadas torcendo. Um bom exemplo é a promissora assistente de arbitragem Maíra Mastella Moreira, 24 anos, natural de Cruz Alta e moradora de Santa Maria há sete anos. No quadro da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) desde 2014, Maíra conquistou classificação A junto à entidade no mês passado. De concreto, isso representa a possibilidade de ela ser escalada para partidas da Série A do Campeonato Gaúcho.  

 Os testes sempre ocorrem no início do semestre. Nas provas físicas e teóricas, é preciso atingir as notas mínimas, pelo menos, para estar apto a atuar nas competições do primeiro semestre. Dentro da classificação da arbitragem, tem letras C, B e A. Letra A é quem pega Gauchão. Se tu não és letra A, tu não entras — explica Maíra, que pode ser escalada na 3ª rodada do Gauchão, a partir da próxima sexta-feira.

Formada em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) há três anos, Maíra também é instrutora de uma academia da cidade. Para o futuro, almeja subir degraus de forma gradativa até conseguir o escudo da Fifa no uniforme.

Sempre fui do esporte. Joguei futsal, joguei futebol. Quando ingressei na Educação Física, já tinha a ideia de fazer arbitragem, mas não tinha definido se seria no futsal ou no futebol de campo. Optei pelo futebol de campo muito em função do laboratório no qual estudei na UFSM, que é o de Mídia Esportiva. Lá, estudei sobre as mulheres na arbitragem do futebol de campo em jogos masculinos. A minha ambição é ser uma ótima árbitra assistente e ficar especialista nessa área, que já é uma função bem difícil. É onde quero crescer. E, aí, vamos ver o que a vida vai trazer — projeta Maíra, que, antes de entrar para a arbitragem da FGF, teve de fazer um curso de um ano na própria federação. 

Radicada em Santa Maria, a assistente lembra com carinho de uma atuação no clássico local. Foi em março de 2015, no Estádio Presidente Vargas. O jogo da 1ª rodada da Divisão de Acesso foi vencido pelo time da casa, por 3 a 0.

 O Rio-Nal foi muito especial. Eu me identifico muito com a cidade e, para mim, foi uma recompensa poder atual nessa partida — orgulha-se a cruz-altense.

A tranquila e ambiciosa assistente conta com o apoio — e com bons conselhos — de um árbitro que é referência no país e que atingiu o grau máximo da arbitragem mundial.

 O Daronco (Anderson) é um grande exemplo por ter saído daqui e por ter passado por todo esse caminho, que não é fácil. É grande apoio que tenho. Ele me passa tranquilidade e me deu bons conselhos. Sempre me disse "vai adiante, segue". Porque tu acabas abrindo mão de algumas coisas da vida, do teu tempo — conclui Maíra, que não se deixa levar por preconceitos, "brincadeirinhas" de torcedores ou xingamentos de atletas e treinadores.


 Acho até que eles nos respeitam mais.

Via diariodesantamaria.clicrbs.com.br
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