Foto: Ricardo Moura/ FFB

Observando as recentes escalas de arbitragem dos Campeonatos estaduais femininos no Rio Grande do Sul chama a atenção o fato de não existirem mulheres no apito comandando as partidas oficiais da entidade máxima do esporte em solo gaúcho, apenas árbitras assistentes têm merecido a oportunidade.

O primeiro passo para entender o que acontece nos dias de hoje nos gramados do Rio Grande do Sul é projetar um olhar para o passado, saber a fundo do histórico da participação feminina entre os oficiais de arbitragem, relembrar alguns nomes e verificar se elas passaram por dificuldades e quais eram elas.

Ivani de Gregori Foto: Anselmo Cunha / Agencia RBS

O nome mais conhecido e que ganhou expressão ao alcançar o quadro da FIFA foi o de Ivani de Gregori, primeira árbitra Fifa do Rio Grande do Sul, não diferente de outras lutou contra o pré-conceito, discriminação e teve muitas dificuldades para se manter no quadro, em épocas de um machismo mais aberto e não camuflado, escutou que uma mulher jamais apitaria uma partida de campeonato gaúcho, o escudo da FIFA só veio depois de uma década no universo do apito.

Nos dias de hoje, as mulheres encontram o mesmo preconceito, e pior, são usadas como propaganda de uma suposta quebra de barreiras e uma abertura de espaços que na realidade não existe, muitas são praticamente obrigadas a aceitar a carreira de árbitra mas como assistente, deixando pra traz seus sonhos e ambições, tudo para não serem excluídas e ficarem de fora das escalas.

Diferentemente de outros estados, o futebol gaúcho não realiza um trabalho verdadeiro de formação e aproveitamento real, quem achar que este texto é equivocado faço um convite para verificar as escalas de arbitragem dos campeonatos femininos no estado, campeonatos da federação, é a prova mais contundente do equivoco que vem sendo realizado, em contramão do que acontece em outras federações pelo Brasil, o comando da arbitragem gaúcha faz sucumbir as expectativas de crescimento e de aproveitamento das mulheres.

Foto: Ricardo Moura /FFB
Sei bem que muitos vão dizer que o apoio existe, existe assistentes no campeonato gaúcho masculino, no quadro nacional, trabalhando inclusive na série B do Campeonato Brasileiro, pouco, muito pouco para o estado que já teve uma árbitra no quadro da FIFA.

No estado de São Paulo, um exemplo merece todo o destaque, uma turma exclusiva para mulheres em curso de formação de árbitros, ambiente adequado e uma postura de visão, um olhar profissional para o futuro.

Andressa Hartmann tem um excelente  currículo  no universo da arbitragem  Foto: Ricardo Moura /FFB
 O quadro da Federação Gaúcha de Futebol conta com cerca 195 nomes, entre árbitros principais e assistentes (bandeirinhas). Desse total, apenas seis são mulheres, entre elas, apenas uma está apta a comandar uma partida, Andressa Hartmann, uma jovem promissora com ampla experiência em arbitragem, preparada tecnicamente e fisicamente, mas pasmem, não participou sequer de um jogo das competições femininas gaúchas.

Recentemente tivemos uma árbitra do Rio Grande do Sul participando de um intercâmbio na Alemanha,   um encontro mundial onde Pâmela Joras apitou a final do evento.

Os argumentos podem surgir de todos os lados, mas a credibilidade deles se quebram ao constatar a realidade, o preconceito existe, por parte de diretores e de muitos árbitros antigos que não observam com bons olhos a participação da mulher, me desculpem os diretores da CEAF, mas o trabalho é incompetente é pode trazer sérios atrasos e prejuízos ao estado.

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